Saturday, July 19, 2008

Music Box #12


Radiohead - House of Cards


Saturday, May 3, 2008

Music Box #11


Cat Power - Greatest

Sunday, April 20, 2008

Music Box #10


Gotham Project - Celos


Tuesday, April 15, 2008

ausência


sabes onde estou. sabes onde encontrar-me. estou por aqui. sou o mesmo, não importa o lugar.
posso não saber nada de ti durante meses. no entanto tenho-me lembrado de ti, sempre do mesmo modo, desde o primeiro dia da tua ausência.
nas relações humanas há constantes. pessoas que se infiltram nas nossas vidas e aí permanecem, imunes ao tempo. não são muitas, na verdade são raras, são aquelas que dobraram a barreira da intimidade. não intimidade de corpos, essa por si só nada significa, não perdura. refiro-me à outra intimidade, a do pensamento, a do olhar, a dos silêncios. a nossa.
há encontros assim. que vão da identidade à intimidade. recordo o espanto da primeira vez que te vi. a força gravitacional que se gerou e que abalou os sentidos. a atracção brutal de corpos que lhe sucedeu. seguiu-se a intimidade.
depois a distância e os desencontros. duas cidades, o medo de não resistir ao erotismo da noite. a fragilidade da saudade. no meu regresso à tua cidade tu emigraste. quis o destino. foi o fim. o fim do que nunca começou.
hoje resta-me a tua ausência. e a memória do que fomos.
até quando?

Tuesday, April 8, 2008

estremecimento


tem dias em que o passado regressa de modo inesperado.
por momentos somos levados no tempo a pessoas e lugares que jazem em distantes memórias.

Saturday, March 8, 2008

Poems #4

Carlos de Oliveira

Cal*

A cal,
o amor
guardado para os mortos,
dissolvente perfeito
da tua solidão
descarnada
em meu peito,
a cal,
o coração.

*em Trabalho Poético

Dedicated to saturnine (http://littleblackspot.blogspot.com)

Music Box #9


Shirley Horn - A time for love


Wednesday, March 5, 2008

Poems #3


W. H. Auden
The More Loving One

Looking up at the stars, I know quite well
That, for all they care, I can go to hell,
But on earth indifference is the least
We have to dread from man or beast.

How should we like it were stars to burn
With a passion for us we could not return?
If equal affection cannot be,
Let the more loving one be me.

Admirer as I think I am
Of stars that do not give a damn,
I cannot, now I see them, say
I missed one terribly all day.

Were all stars to disappear or die,
I should learn to look at an empty sky
And feel its total dark sublime,
Though this might take me a little time.

Tuesday, March 4, 2008

Music Box #8

Richard Hawley - Coles corner

Cold city lights glowing,
The traffic of life is flowing,
Out over the rivers and on into dark.


Sunday, March 2, 2008

Music Box #7


Morelenbaum2 & Ruichi Sakamoto - O grande amor

do album Casa, que me envolve nas noites de trabalho, de uma beleza imensa, ainda que profundamente triste. Poucos mestres (nas artes da poesia/música) terão existido como Jobim e Vinicius.


Music Box #6


Clã - sexto andar

Collected Short Quotations #4


Perditos

De certos homens diz-se que estão perdidos. Perditos.
São como buracos de ácido na vida social normalizada.

Pascal Quignard, As sombras errantes, p. 110

dedicated to Ana (http://www.az-umacarta.blogspot.com/)

Saturday, March 1, 2008

Music Box #5


Nouvelle Vague - dance with me

Music Box #4

Rodrigo Leão - Rosa

Music Box #3


Lamb
"gorecki"

if i should die this very moment
i wouldn't fear
for i've never known completeness
like being here
wrapped in the warmth of you
loving every breath of you
still my heart this moment
or it might burst
could we stay right here
'til the end of time, 'til the earth stops turning
wanna love you 'til the seas run dry
i've found the one i've waited for
all this time i've loved you
and never known your face
all this time i've missed you
and searched this human race
here is true peace
here my heart knows calm
safe in your soul
bathed in your sighs
wanna stay right here
'til the end of time, 'til the earth stops turning
gonna love you 'til the seas run dry
i've found the one i've waited for
the one i've waited for
all i've known
all i've done
all i've felt was leading to this
all i've known
all i've done
all i've felt was leading to this
wanna stay right here
'til the end of time, 'til the earth stops turning
gonna love you 'til the seas run dry
i've found the one i've waited for
the one i've waited for
wanna stay right here
'til the end of time, 'til the earth stops turning
gonna love you 'til the seas run dry
i've found the one i've waited for
the one i've waited for
the one i've waited for...


Thursday, February 28, 2008

Music Box #2


Paolo Conte - Sparring Partner (em 5X2 de François Ozon)

Music Box #1


Rodrigo Leão - Voltar

Saturday, February 16, 2008

Collected Short Quotations #3


"Durante muito tempo, cada um de nós rasteja nesta terra como uma lagarta, na expectativa da borboleta esplêndida e diáfana que traz em si. E depois o tempo passa, a ninfose não chega, ficamos larva, constatação aflitiva, que havemos de fazer com ela?"

Jonathan Littell, As Benevolentes, 11


Que havemos de fazer com a larva que não deixamos de ser? talvez esmagá-la...

Collected Short Quotations #2


"Erótica é a alma"

Adélia Prado

Saturday, February 9, 2008

Collected Short Quotations #1


Numa parede de uma qualquer exposição em Serralves encontrei este texto:

"O que sei de mim
encalhou no tempo"

António Dacosta

E o que não sei... ficou na sombra

Tuesday, February 5, 2008

sexo sem amor,
essa enorme solidão

Monday, January 21, 2008

Escreveu Álvaro de Campos,
"Errei a porta do sentimento".

Confesso que errei tantas vezes que, penso, provavelmente não existe qualquer porta. No absurdo labirinto das relações humanas, sem a mão (ou fio) de Ariadne, o destino inexorável é a sucessão de equívocos que, quase sempre, culminam apoteoticamente em tragédia.
Sou a síntese entre o passado e o futuro.
não mais do que uma linha ténue,
em equilíbrio incerto.

Do passado que não vivi,
na expectativa do futuro.
Do futuro que virá a ser (pressinto)
um passado adiado.

Viajo entre a memória e o sonho,
movendo-me no presente
pelo lado da sombra.

Saturday, January 19, 2008

Poems #2

Octavio Paz - Dos Cuerpos


Dos cuerpos frente a frente
son a veces dos olas
y la noche es océano

Dos cuerpos frente a frente
son a veces dos piedras
y la noche desierto

Dos cuerpos frente a frente
son a veces raíces
en la noche enlazadas

Dos cuerpos frente a frentes
on a veces navajas
y la noche relámpago

Dos cuerpos frente a frente
son dos astros que caen
en un cielo vacío

Thursday, January 17, 2008

encerro nas mãos o que resta de ti,
os meus olhos.
neles guardo uma imagem:
do dia em que os nossos corpos se uniram
Chove. Corpos em queda abrupta.
A escuridão é esventrada ruidosamente.
Encolho-me. Tu não estás.
Chove. Dentro de mim.

Monday, January 14, 2008

Tu és o lugar onde eu serei feliz.
Vou procurar nos mapas da poesia
em que cidade te escondes.

Saturday, January 12, 2008

Poems #1


Há uns anos atrás, numa pequena livraria de Cartagena recitaram-me o início deste poema:


13
Primero está la soledad.
En las entrañas y en el centro del alma:
ésta es la esencia, el dato básico, la única certeza;
que solamente tu respiración te acompaña,
que siempre bailarás con tu sombra,
que esa tiniebla eres tú.
Tu corazón, ese fruto perplejo, no tiene que agriarse
con tu sino solitario;
déjalo esperar sin esperanza
que el amor es un regalo que algún día llega por sí solo.
Pero primero está la soledad,
y tú estás solo,
tú estás solo con tu pecado original -contigo mismo-.
Acaso una noche, a las nueve,
aparece el amor y todo estalla y algo se iluminadentro de ti,
y te vuelves otro, menos amargo, más dichoso;
pero no olvides, especialmente entonces,
cuando llegue el amor y te calcine,
que primero y siempre está tu soledad
y luego nada
y después, si ha de llegar, está el amor.

Dario Jaramillo Agudelo, La Cruz del sur, 1999.

Lia um qualquer livro sentada num banco junto à caixa registadora. De mini-saia e uma camisa de alças, branca, justa para um peito enorme. Rabo-de-cavalo, num rosto de linhas suaves dominado por uns olhos imensos. O pecado da luxúria, pensei. Pouco depois estávamos a falar, ainda me recordo como tudo começou: percorrendo as estantes encontrei um livro de poemas de Benedetti. Folheava-o quando, do lugar onde se encontrava sentada, ouvi a sua voz quebrar o silêncio para dizer que era um dos seus poetas favoritos. A partir daí falamos de livros e de autores sul-americanos. Perguntei por poetas colombianos. Falou-me deste. Não conhecia. Disse-me de memória os primeiros versos de um poema. Não encontrámos nas estantes nenhum livro desse autor. Escreveu num papel o que se lembrava do texto. Enviou-me o poema por email uns dias depois. Saí da livraria com dois livros de Mario Benedetti, um de Roberto Bolaño (recomendado por um amigo chileno) e com o último livro de Garcia Marquez, Memorias de mi putas tristes, que tinha acabado de ser publicado. Ela ficou sentada no banco a ler. Chamava-se (e chama-se) Gina, nome que evoca outras vidas. Voltei lá no dia seguinte, e... não a encontrei (a vida é assim mesmo, nunca acontece o que a imaginação laboriosamente arquitecta; para isso temos a ficção...).
Nunca mais a vi. Resta-me o poema.

Wednesday, January 9, 2008


Na espessura da tua ausência

correm os dias líquidos