Saturday, January 12, 2008
Poems #1
Há uns anos atrás, numa pequena livraria de Cartagena recitaram-me o início deste poema:
13
Primero está la soledad.
En las entrañas y en el centro del alma:
ésta es la esencia, el dato básico, la única certeza;
que solamente tu respiración te acompaña,
que siempre bailarás con tu sombra,
que esa tiniebla eres tú.
Tu corazón, ese fruto perplejo, no tiene que agriarse
con tu sino solitario;
déjalo esperar sin esperanza
que el amor es un regalo que algún día llega por sí solo.
Pero primero está la soledad,
y tú estás solo,
tú estás solo con tu pecado original -contigo mismo-.
Acaso una noche, a las nueve,
aparece el amor y todo estalla y algo se iluminadentro de ti,
y te vuelves otro, menos amargo, más dichoso;
pero no olvides, especialmente entonces,
cuando llegue el amor y te calcine,
que primero y siempre está tu soledad
y luego nada
y después, si ha de llegar, está el amor.
Dario Jaramillo Agudelo, La Cruz del sur, 1999.
Lia um qualquer livro sentada num banco junto à caixa registadora. De mini-saia e uma camisa de alças, branca, justa para um peito enorme. Rabo-de-cavalo, num rosto de linhas suaves dominado por uns olhos imensos. O pecado da luxúria, pensei. Pouco depois estávamos a falar, ainda me recordo como tudo começou: percorrendo as estantes encontrei um livro de poemas de Benedetti. Folheava-o quando, do lugar onde se encontrava sentada, ouvi a sua voz quebrar o silêncio para dizer que era um dos seus poetas favoritos. A partir daí falamos de livros e de autores sul-americanos. Perguntei por poetas colombianos. Falou-me deste. Não conhecia. Disse-me de memória os primeiros versos de um poema. Não encontrámos nas estantes nenhum livro desse autor. Escreveu num papel o que se lembrava do texto. Enviou-me o poema por email uns dias depois. Saí da livraria com dois livros de Mario Benedetti, um de Roberto Bolaño (recomendado por um amigo chileno) e com o último livro de Garcia Marquez, Memorias de mi putas tristes, que tinha acabado de ser publicado. Ela ficou sentada no banco a ler. Chamava-se (e chama-se) Gina, nome que evoca outras vidas. Voltei lá no dia seguinte, e... não a encontrei (a vida é assim mesmo, nunca acontece o que a imaginação laboriosamente arquitecta; para isso temos a ficção...).
Nunca mais a vi. Resta-me o poema.
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1 comment:
Good words.
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