Tuesday, April 15, 2008

ausência


sabes onde estou. sabes onde encontrar-me. estou por aqui. sou o mesmo, não importa o lugar.
posso não saber nada de ti durante meses. no entanto tenho-me lembrado de ti, sempre do mesmo modo, desde o primeiro dia da tua ausência.
nas relações humanas há constantes. pessoas que se infiltram nas nossas vidas e aí permanecem, imunes ao tempo. não são muitas, na verdade são raras, são aquelas que dobraram a barreira da intimidade. não intimidade de corpos, essa por si só nada significa, não perdura. refiro-me à outra intimidade, a do pensamento, a do olhar, a dos silêncios. a nossa.
há encontros assim. que vão da identidade à intimidade. recordo o espanto da primeira vez que te vi. a força gravitacional que se gerou e que abalou os sentidos. a atracção brutal de corpos que lhe sucedeu. seguiu-se a intimidade.
depois a distância e os desencontros. duas cidades, o medo de não resistir ao erotismo da noite. a fragilidade da saudade. no meu regresso à tua cidade tu emigraste. quis o destino. foi o fim. o fim do que nunca começou.
hoje resta-me a tua ausência. e a memória do que fomos.
até quando?

4 comments:

matilde said...
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matilde said...
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[ t ] said...

(peço desculpa. comentário ao comentário da matilde.)

e mesmo isso -que o sabemos sempre - o fazemos em silêncio.
'termos a certeza que tudo fizemos para ser tudo diferente'

[ t ] said...
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